quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Que as palavras que eu falo não sejam


ouvidas como prece, nem repetidas com

fervor,apenas respeitadas, como a única coisa

que resta a uma mulher.

Porque metade de mim é o que ouço, mas a

outra metade é o que calo.

Que essa tensão que me corrói por dentro

seja um dia recompensada

Porque metade de mim é o que eu penso e a

outra metade é um vulcão

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio

comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso,

que me lembro ter dado na infância

Porque metade de mim é a lembrança do que fui,

a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria

para me fazer aquietar o espírito

E que o teu silêncio me fale cada vez mais

Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade

é cansaço.

E que a minha loucura seja perdoada,

Porque metade de mim é amor, e a outra metade...